CONTEÚDO / Na Primeira Pessoa
A importância da representatividade no design e no marketing

Estava há um bom tempo querendo falar sobre a representatividade no design, pois tem me incomodado, principalmente com o avanço da IA generativa de imagem.
Embora de cara não pareça, o design gráfico é um dos pilares para moldar a consciência social do brasileiro. Nós criamos peças publicitárias que são vistas por milhões de pessoas em revistas, outdoors, aplicativos e na TV. Em um país tão diverso quanto esse, mostrar o rosto real da nossa gente não é apenas uma escolha estética, é uma responsabilidade ética. O comercial branco de margarina, ficou lá nos anos 60, nas agências de publicidade da avenida Madson.
Quando imagens usadas em campanhas online e impressas retratam apenas um recorte específico, especialmente padrões europeus, se cria um distanciamento emocional que exclui grande parte do público brasileiro. Grande mesmo, viu: 54,7%. A representatividade no design ajuda a corrigir esse desequilíbrio histórico. Ela amplia a percepção de pertencimento, fortalece o engajamento e demonstra o compromisso da marca com uma comunicação mais humana. Estes dias vi uma campanha da Natura mostrando uma família mista. E também comentársio do tipo: “Agora todas as marcas querem lacrar incluindo do negro ao japonês em um comercial”. Se for uma “lacração”, que seja. Incluir pessoas com diferentes tons de pele, traços, corpos, idades e realidades transmite uma mensagem simples e poderosa: todo mundo importa. Independente do método. Um design inclusivo gera identificação instantânea e, por consequência, aumenta o impacto das campanhas.
Agora preciso falar das imagens geradas por IA (nesse momento eu estou sendo incluído na lista negra pra revolução das máquinas). Mesmo com todos os avanços incríveis dos últimso anos, as IAs generativas de imagem ainda carregam um problema profundo. Elas são treinadas com base no conteúdo da internet e, como a própria rede é um reflexo desigual da sociedade, o resultado tende a replicar padrões racistas e eurocêntricos. Eu, como designer que trabalha diariamente com prompts pra IA, preciso redobrar o processo de criação.
Se um prompt não especificar que as pessoas devem ter pele negra, raça mista ou traços brasileiros diversos, a IA costuma gerar imagens majoritariamente brancas. Isso reforça uma lógica de apagamento. Por isso, meus amigos profissionais, a gente precisa ter um olhar crítico ao usar essas ferramentas. A responsabilidade, no final das contas, é nossa. O cliente aprova o que a gente manda. E, a menos que ele tenha uma consciência ética e determine a visão que quer passar pro seu público, quem precisa pensar nisso somos nós. Aqui, eu deixo 4 ações essenciais pra ajudar nesse sentido:
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Descrever características étnicas de maneira consciente nos prompts (incluindo tons de pele, traços e diversidade).
- Ter sensibilidade ao atribuir profissões às personas geradas. Gerentes de negócios e diretores corporativos também são negros e pardos, assim como outras profissões de menos poder aquisitivo também são brancos. Estereótipos não devem definir quem pode ocupar cada função.
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Se optar por usar imagens prontas, buscar bancos de imagem que valorizem diversidade real, preferindo produções brasileiras.
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Revisar resultados com sensibilidade e propósito, ajustando até que as imagens reflitam nosso contexto cultural.
A IA é uma ferramenta poderosa, mas precisa ser guiada com responsabilidade.
A representatividade no design não é só design
Entenda que fortalecer a representatividade no design não se limita ao uso de imagens. Envolve também escolhas de linguagem, narrativas visuais, referências culturais e até decisões de paleta, se estiverem ligadas a elementos identitários. O importante é reconhecer que design não é neutro. Toda criação comunica, inclui ou exclui.
Para quem atua na área, como eu, incorporar elementos que representem nosso querido Brasil “real” é uma forma de honrar histórias, democratizar espaços e construir uma comunicação que representa nosso povo.
Espero que este artigo ajude você! Se quiser falar mais sobre o assunto, me dá um alô aqui!
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